segunda-feira, 25 de junho de 2012

CAI A NOITE



Há silêncios que calam e silêncios que gritam
Nem tudo é não vida vaga, alijada, aluada
Teias difusas, complicadas, rendas feitas
- de nuvens, de fumaças, de espumas ao vento
Por onde esparrama, vai morrendo, escorre devagar
Sem fidalguia como são as ondas na praia - do mar
Há um dia confuso, covarde, fugidio de mim e de ti?
Que esconde-se, some-se no riso sem pranto, 
- de alheias agonias 
Na sujeição de outros tantos desprazeres impostos
Por mentes torpes, cheias de certa teimosia
A empalidecer a luz dourada dos teus olhos 
[- tão minha!]
Faz ruir na curva da estrada o meu canto, meu hino
Que loucura, em desatino!


Eu não quero esquecer dos dias ruins
- que dão versos morfinos
Quero reconhecer neles os outros dias que enumeram
Alegrias, vontades, prazeres! - De ti e de mim
Quero reviver ainda as raízes do que fazemos
Crescer primeiro, nascer enquanto - só depois de brotar
Infinitas vezes dentro da essência com que ilustramos
As palavras, os gestos, os olhares, os amores 
- da vida pelo viver do outro 
Tornados únicos, tornaram-nos únicos, tornamos os mesmos
Ditosa brisa de vida, esta, que sopra-nos, ufana-nos!
Há vozes que falam e vozes que calam,
E não nos desenganam - somos, cada um, livres, seguros
Humanos, únicos - Um!



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